sábado, 19 de janeiro de 2013
Qual a importância de um "CORE" forte?
Um dos assuntos mais discutidos recentemente em medicina esportiva no que tange a prevenção de lesões e a melhoria da performance e dos resultados na atividade física é a necessidade do fortalecimento do CORE.
O CORE ( que significa centro) é composto por um conjunto de músculos que dá estabilidade e proporciona flexibilidade à coluna.(Não só a coluna, mas também à região pélvica e aos quadris). Nesta área convergem movimentos do corpo todo. Eles atuam na transmissão de forças geradas pelos membros, de modo que se estiverem fracos estes movimentos sobrecarregarão joelhos, quadris, tornozelos, ombros, cotovelos e a própria coluna vertebral.
Fortalecer o CORE deve ser o início de qualquer treinamento. Existem várias técnicas que trabalham esta musculatura como por exemplo o Pilates, o RPG , CORE training e o treinamento funcional.
O Core training envolve a contração harmônica destes músculos proporcionando a estabilização estática e dinâmica do tronco e pelve. Com a evolução do treinamento o grau de dificuldade aumenta, tentando criar mais instabilidade durante o exercício, proporcionando uma maior dificuldade e consequentemente melhora da aptidão sensório-motora. Isso pode ser realizado através do uso de bolas ou discos.
Diversos estudos apontam que durante movimentos de esportes específicos como a corrida e o futebol, antes da ativação da musculatura dos membros inferiores ou superiores há uma ativação dos músculos do CORE, estabilizando a coluna para a realização do movimento da forma mais harmônica e eficiente. Desta forma é compreensível a importância destes músculos na performance de atletas de alto rendimento e na prevenção de lesões, devido à maior eficiência e estabilização de movimentos.
Essa musculatura também é importantíssima na prevenção da lombalgia, já que a presença dessas dores gera inibição na ativação destes músculos, que passam a agir de forma mais lenta e ineficiente causando mais instabilidade e dor, alimentando assim um círculo vicioso. Desta forma deve-se interromper estes exercícios na presença de dor aguda pois esta inibe a ativação destes músculos e causa mais instabilidade. A insistência do treinamento com dor poderá causar mais inibição e consequentemente mais instabilidade da coluna e dor.
A FIFA por exemplo através de seu grupo de estudos (F-MARC) elaborou um programa, o FIFA 11+ com o intuito de reduzir a incidência de lesões no futebol em 30 a 50%. Um dos principais elementos deste programa é o fortalecimento do CORE. Segundo o manual, jogadores de futebol devem possuir força e controle neuromuscular suficientes nos músculos do tronco e quadril para alcançar a estabilidade do CORE, importantíssimo para a prevenção de lesões. Equipes que praticaram o treinamento pelo menos duas vezes na semana diminuíram as chances de lesão em 37% durante os treinos e em 29% durante as partidas.
O fortalecimento do CORE vem cada vez mais obtendo evidencias cientificas na melhoria da performance, na prevenção de lesões, no tratamento e reabilitação de lesões ortopédicas e na melhoria da qualidade de vida e realização de atividades de vida diária. Fortalecer esta musculatura é fundamental para o início e evolução de qualquer forma de treinamento.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Síndrome do "bumbum sarado"
As mulheres estão a cada dia mais pressionadas pelos rígidos padrões estéticos da sociedade. Para obter o "corpo perfeito" elas se submetem à sobrecargas excessivas de treinamentos para os glúteos e com isso a incidência de lesões vem crescendo. Uma lesão em particular tem se tornando cada vez mais frequente com o aumento do número de praticantes de musculação: Trata-se da Síndrome do Piriforme ou como vem sendo chamada por alguns ultimamente: "Síndrome do bumbum sarado".
Provavelmente é uma patologia um tanto subestimada em sua prevalência pois apesar relativamente rara é bastante confundida com outros problemas mais frequentes do quadril. Apesar de pouco comum, tem uma incidência aumentada em mulheres entre 20 e 50 anos que malham intensamente os músculos das coxas e dos glúteos. Nas academias várias praticantes devem sofrer com a patologia, mas realmente só procuram auxílio quando o problema se agrava.
A síndrome do piriforme é uma compressão do nervo ciático pelo músculo piriforme na saída da pelve para a região glútea. Este músculo tem como principal função a rotação externa da coxa sendo auxiliado por outros músculos os chamados rotadores externos do quadril que encontram-se em intimo contato com o nervo ciático. Portanto, qualquer processo que leve ao aumento do volume desse músculo pode causar compressão neste nervo causando neurite e dor. Algumas das causas frequentes são: a hipertrofia dessa musculatura devido a exercícios excessivos principalmente em mulheres, inflamação ou hematoma pós-trauma na região, alterações anatômicas, uso de próteses de silicone colocadas sobre os glúteos entre outras.
A historia é de uma dor em queimação irradiando pela face posterior do glúteo e da coxa que pode ser confundida muitas vezes com sintomas de compressão do nervo ciático por hernia discal. Inicio da dor em mulheres que obtiveram grande hipertrofia dos glúteos em curto espaço de tempo, principalmente em usuárias de anabolizantes. A dor piora ao caminhar, ao correr ou aos movimentos de rotação lateral do quadril como quando fazemos ao sentar com as pernas cruzadas.Outro sintoma frequente acontece em pessoas que trabalham muito tempo sentadas que sentem dor quando se levantam. A atrofia isolada é uma achado muito incomum.
A síndrome do piriforme , entretanto, não ocorre apenas em praticantes de musculação: corredores, ciclistas e triatletas podem ser acometidos. Ficar sentado por longos períodos na bicicleta ou mesmo sofrer impactos em um treino de mountain bike podem provocar dor local
O diagnostico é clinico e os exames complementares apenas auxiliam na confirmação.
O tratamento é conservador sendo raras as indicações cirúrgicas para a liberação do nervo. O tratamento fisioterápico é muito importante para a melhora do processo inflamatório local e alongamento dos rotadores externos e musculatura glútea. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser associados, bem como uso de outras modalidades como injeção de corticóides, anestésicos,botox e acupuntura A crioterapia tem um excelente efeito inicial pelas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas.
Os exercícios devem ser iniciados tão logo ocorra a melhora da dor. Iniciando com o alongamento e instituindo o fortalecimento gradualmente em todos os músculos relacionados para que funcionem em harmonia. O retorno ao esporte deve ser gradual e cuidadoso dependendo da gravidade e extensão da lesão.
Como prevenção salientamos que os glúteos devem ser alongados frequentemente. Mulheres que não tem glúteos e nádegas desenvolvidos naturalmente devem tomar mais cuidado pois estarão mais propensas. No exercício para glúteos com quatro apoios deve-se contrair o abdome e não forçar a coluna ao elevar a perna. Evitar ficar sentada o dia inteiro e malhar intensamente pois aumentam as chances de desenvolver a síndrome Se os sintomas persistirem o ortopedista/ médico do esporte deve ser procurado.
Por fim, é importante informar que não se justifica deixar de malhar glúteos para evitar a síndrome porque ela é de ocorrência rara. Deve-se apenas ter o cuidado e bom senso para evitar exageros e sobrecargas que podem ser danosos e ocasionar longo tempo de ausência ao esporte ou à atividade física.




