domingo, 29 de abril de 2012
Qual o melhor horário para praticar esportes?
O horário de treinamento deve ser, antes de tudo, o período do dia em que o indivíduo sente-se melhor e mais motivado para a atividade física, respeitando sempre a individualidade de cada pessoa. Entretanto, existem estudos científicos, que cada vez mais, confirmam uma flutuação de vários fatores importantes que influem na performance durante o dia. Além disso esta flutuação pode ser influenciada e alterada por alguns parâmetros importantes como a carga de trabalho, estresse psicológico, motivação, interação social, luminosidade, temperatura, sono, altitude, horário das refeições, tipos de alimentos, idade e sexo, alterações bruscas dos horários de dormir e acordar, viagens muito longas e sensibilidade à ingestão de drogas, álcool, cafeína ou medicamentos que é diferente em algumas horas do dia, podendo influenciar diretamente o desempenho.
Nos esportes que usam fundamentalmente o sistema aeróbico, como a corrida de rua, a maratona, fundistas e meio-fundistas, a maioria dos trabalhos sugere que esse sistema pode responder mais rápido no período da tarde (16h) que no período da manhã. Outro estudo mostra a melhoria da capacidade física e de consumo de oxigênio após 4 semanas de treinamento quando este aconteceu no horário da tarde. Mostrou-se ainda uma maior capacidade de trabalho dos atletas no final da tarde. Interessante também observar que houve uma queda da performance dos atletas quando o teste foi realizado em horário diferente dos horários em que treinaram, confirmando a especificidade das condições de treinamento e a flutuação desses valores da performance durante o dia, mostrando que sempre que possível a atividade ou a prova deve ser realizada nos mesmos horários quando se pensa em resultados ou melhoria da capacidade física.
Os esportes que usam fundamentalmente o sistema anaeróbio, de alta intensidade e curta duração, como as corridas de velocidade,comportaram-se de forma semelhante aos esportes de característica aeróbica, sendo encontrados melhores resultados nestas atividades quando foram realizadas no período do final da tarde.
Para os exercícios de musculação, observou-se uma eficiência muscular máxima e mínima às 18h e às 9h respectivamente, sendo encontrados em alguns trabalhos um aumento de força muscular no horário das 18h em comparação com o das 6h. Outros fatores relacionados com a eficiência da contração muscular e do treinamento de força, parecem realmente sofrer uma melhora no final da tarde.
Para atletas que desejam melhoria no rendimento esportivo, a realização de objetivos, rendimento e principalmente atletas que praticam esportes em alto nível, em que a alteração nos detalhes mínimos pode fazer a diferença, a observação desses aspectos pode representar uma boa colocação, uma medalha ou a melhoria da performance.
sábado, 28 de abril de 2012
Porque meu joelho dói quando estou correndo? Conheça a Síndrome do Trato Iliotibial e como ela pode atrapalhar sua corrida!
Trata-se da Síndrome do Atrito do Trato Iliotibial ou Banda Iliotibial, que é bastante comum em corredores,sendo inclusive conhecida por "Joelho do Corredor". É também bastante comum em ciclistas e devido a isso, praticantes de Triatlon são comumente acometidos. Entretanto, não é exclusivo apenas destes dois esportes, afetando atletas que participam de atividades que exigem a flexão do joelho como futebol, tênis, natação,entre outros.
O trato iliotibial é um tecido fibroso, que lembra um grande tendão, que se origina no quadril no músculo tensor da fáscia lata e termina abaixo do joelho na parte ântero-lateral da tíbia. O problema ocorre quando, na altura do joelho, o trato entra em contato com uma proeminência óssea (epicôndilo lateral), quando esta articulação encontra-se próximo dos 30 graus de flexão, angulação bastante utilizada por praticantes de corrida e ciclismo. A grande repetição do movimento nesta situação leva à uma fricção das estruturas, podendo levar a uma inflamação do trato iliotibial ou de uma bolsa de gordura que fica entre o joelho e o trato causando dor e limitação.
O sintoma mais comum é a dor na região lateral do joelho, um pouco acima da articulação que aparece durante a corrida. Piora progressivamente e limita a distância programada ou velocidades maiores. A dor pode piorar mais ainda em subidas ou descidas, fazendo o atleta inclusive parar. Após alguns minutos a dor desaparece espontaneamente, mas logo reaparece após o início de uma nova corrida.
A insistência em correr com a dor pode agravar a inflamação, podendo espalhar a sensação dolorosa para a perna e coxa, inchaço e crepitações. E é extremamente importante procurar um médico para avaliação e exclusão de outras patologias bem como traçar um tratamento adequado.
Alguns fatores predisponentes anatômicos podem ser identificados pelo médico como o epicôndilo lateral proeminente, assimetria de membros inferiores, joelhos arqueados (genu varo), pés cavos, fraqueza dos musculos abdutores do quadril, contratura do trato iliotibial. Aumento brusco do treinamento, atividades sem a devida orientação e uso de calçados inapropriados, bem como a prática em terrenos acidentados também podem favorecer o aparecimento da síndrome.
O tratamento geralmente é clínico-fisioterápico, visando inicialmente o controle do processo inflamatório com repouso, compressas com gelo, anti-inflamatórios e modalidades analgésicas. Após este controle deve-se iniciar o tratamento de todo o membro acometido, realizando alongamentos e fortalecimentos das cadeias musculares acometidas. A correção de gestos esportivos inapropriados na corrida é bastante importante no tratamento. A modificação do programa de treinamento do atleta e a análise cuidadosa de todas as variáveis como duração, frequência, intensidade, tipo de calçado, local onde se realiza o treinamento são extremamente importantes para a recuperação do atleta. Nos ciclistas a simples alteração da altura do selim ou a posição dos pés nos pedais podem prover uma melhora sensível no quadro.
Quando os casos tornam-se crônicos ou quando não ocorre melhora mesmo com o tratamento clínico sendo feito adequadamente, por três a seis meses, o tratamento cirúrgico pode ser realizado, com boas taxas de sucesso em atletas que continuavam tendo sintomas significativos mesmo realizando o tratamento conservador de forma correta.
Quando os casos tornam-se crônicos ou quando não ocorre melhora mesmo com o tratamento clínico sendo feito adequadamente, por três a seis meses, o tratamento cirúrgico pode ser realizado, com boas taxas de sucesso em atletas que continuavam tendo sintomas significativos mesmo realizando o tratamento conservador de forma correta.
Foi dada a partida...
E enfim começamos o Blog Medicina e Esporte. A idéia surgiu da possibilidade de ter um canal mais acessível que atingisse médicos, pacientes, atletas e interessados em Medicina Esportiva. Isso sem contar com a oportunidade de falar em temas que realmente gosto muito para pessoas que tenham interesse no assunto. Tentarei tornar este blog além de informativo,o mais atrativo possível: bem eclético e leve em alguns momentos,com curiosidades e falando também sobre história do esporte, tema pelo qual tenho também especial interesse. De qualquer forma vamos começando, aprendendo juntos e tentando repassar experiências, informações, novidades e curiosidades. Espero que gostem! Boa leitura e será um prazer tê-los sempre por aqui...comentem sempre que puderem!
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