Essa é uma pergunta que venho escutando frequentemente no consultório. E qual a mágica dessa substância, porque tanto interesse? Está indicado para todos? Existem riscos?
A creatina é provavelmente a substância mais consumida por atletas e praticantes de exercícios físicos (notadamente nas atividades que envolvem força) e é o suplemento mais estudado da ciência esportiva.
Pode ser produzida pelo próprio organismo e é encontrada nos músculos e sintetizada em rins, fígado e pâncreas a partir dos aminoácidos glicina, arginina e metionina. Pode ser obtida também via alimentação, principalmente pela ingesta de carnes vermelhas e peixes.
A maior justificativa do uso de creatina entre atletas é a hipótese de que o aumento da substância fosfocreatina dentro do músculo pode contribuir para o rendimento das atividades intensas e de curta duração ou intermitentes, bem como o aumento da massa muscular.
As primeiras sugestões de que existia aumento da performance com o uso da substância remetem às Olimpíadas de Barcelona em 1992, quando houve boatos que o vencedor dos 100 metros rasos teria utilizado a substância, além de vários atletas britânicos.
Quanto aos efeitos deletérios, não há evidencias importantes de que a suplementação provoque prejuízos à saúde, principalmente à função renal em homens saudáveis. Deve-se, no entanto, investigar sujeitos com doenças renais preexistentes e com propensão à nefropatia, sendo recomendada a monitorização sistemática nestes consumidores, pelo médico, até que se ateste a segurança nestes casos.
A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (2009) não recomenda a suplementação de creatina para a maioria dos desportistas saudáveis mesmo em eventos de alta intensidade e curta duração. Somente para atletas competitivos com este tipo de atividade e ainda nos pacientes com déficit de creatina exógena como vegetarianos e idosos. Mesmo nesses casos a recomendação, em geral, é a de que não deve ser usada, sendo aceita a suplementação apenas em raras ocasiões. A recomendação finaliza informando que o suplemento com finalidade de aumento da performance seja analisado caso a caso, de acordo com as necessidades.
Já o Australian Institute of Sport em 2007, recomenda a suplementação de creatina em situações e esportes específicos, principalmente naqueles que envolvem atividades intervaladas de alta intensidade e curta duração, com intervalo de recuperação entre os esforços sucessivos ou em esportes com trabalho muscular intenso e intermitente como o futebol , basquete,tênis entre outros.
É extremamente importante que os poucos desportistas que realmente necessitam do uso do suplemento sejam acompanhados por bons profissionais, evitando recomendações de leigos e curiosos, tornando seu uso, quando necessário, seguro e eficiente.

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