quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Síndrome do "bumbum sarado"



As mulheres estão a cada dia mais pressionadas pelos rígidos padrões estéticos da sociedade. Para obter o "corpo perfeito" elas se submetem à sobrecargas excessivas de treinamentos para os glúteos e com isso a incidência de lesões vem crescendo. Uma lesão em particular tem se tornando cada vez mais frequente com o aumento do número de praticantes de musculação: Trata-se da Síndrome do Piriforme ou como vem sendo chamada por alguns ultimamente: "Síndrome do bumbum sarado".

Provavelmente é uma patologia um tanto subestimada em sua prevalência pois apesar relativamente rara é bastante confundida com outros problemas mais frequentes do quadril. Apesar de pouco comum, tem uma incidência aumentada em mulheres entre 20 e 50 anos que malham intensamente os músculos das coxas e dos glúteos. Nas academias várias praticantes devem sofrer com a patologia, mas realmente só procuram auxílio quando o problema se agrava.

A síndrome do piriforme é uma compressão do nervo ciático pelo músculo piriforme na saída da pelve para a região glútea. Este músculo tem como principal função a rotação externa da coxa sendo auxiliado por outros músculos  os chamados rotadores externos do quadril que encontram-se em intimo contato com o nervo ciático. Portanto, qualquer processo que leve ao aumento do volume desse músculo pode causar compressão neste nervo causando neurite e dor. Algumas das causas frequentes são: a hipertrofia dessa musculatura devido a exercícios excessivos principalmente em mulheres, inflamação ou hematoma pós-trauma na região, alterações anatômicas, uso de próteses de silicone colocadas sobre os glúteos entre outras.

A historia é  de uma dor em queimação irradiando pela face posterior do glúteo e da coxa que pode ser confundida muitas vezes com sintomas de compressão do nervo ciático por hernia discal. Inicio da dor em mulheres que obtiveram grande hipertrofia dos glúteos em curto espaço de tempo, principalmente em usuárias de anabolizantes. A dor piora ao caminhar, ao correr ou aos movimentos de rotação lateral do quadril como  quando fazemos ao sentar com as pernas cruzadas.Outro sintoma frequente acontece em pessoas que trabalham muito tempo sentadas que sentem dor quando se levantam. A atrofia isolada é uma achado muito incomum.

A síndrome do piriforme , entretanto, não ocorre apenas em praticantes de musculação: corredores, ciclistas e triatletas podem ser acometidos. Ficar sentado por longos períodos na bicicleta ou mesmo sofrer impactos em um treino de mountain bike podem provocar dor local

O diagnostico é clinico e os exames complementares apenas auxiliam na confirmação.
O tratamento é conservador sendo raras as indicações cirúrgicas para a liberação do nervo. O tratamento fisioterápico é muito importante para a melhora do processo inflamatório local e alongamento dos rotadores externos e musculatura glútea.  Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser associados, bem como uso de outras modalidades como injeção de corticóides, anestésicos,botox e acupuntura  A crioterapia tem um excelente efeito inicial pelas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas.
Os exercícios devem ser iniciados tão logo ocorra a melhora da dor. Iniciando com o alongamento e instituindo o fortalecimento gradualmente em todos os músculos relacionados para que funcionem em harmonia. O retorno ao esporte deve ser gradual e cuidadoso dependendo da gravidade e extensão da lesão.

Como prevenção salientamos que os glúteos devem ser alongados frequentemente.  Mulheres que não tem glúteos e nádegas desenvolvidos naturalmente devem tomar mais cuidado pois estarão mais propensas. No exercício para glúteos com quatro apoios deve-se contrair o abdome e não forçar a coluna ao elevar a perna. Evitar ficar sentada o dia inteiro e malhar intensamente pois aumentam as chances de desenvolver a síndrome  Se os sintomas persistirem o ortopedista/ médico do esporte deve ser procurado.

Por fim, é importante informar que não se justifica deixar de malhar glúteos para evitar a síndrome porque ela é de ocorrência rara. Deve-se apenas ter o cuidado e bom senso para evitar exageros e sobrecargas que podem ser danosos e ocasionar longo tempo de ausência ao esporte ou à atividade física.

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